Tabaco e Psicose

Este Podcast sumariza achados recentes disponibilizados no periódico Lancet sobre a relação entre cigarro e início de transtornos psicóticos.

 


 

 

Auto-medicação

Certamente, profissionais de saúde reconhecem facilmente a relação entre tabagismo e psicose. Geralmente, o que ocorre é que pacientes esquizofrênicos tendem a fumar bastante. Isto, em parte, pode ser relacionado com a chamada teoria da auto-medicação. Isto é, portadores de transtornos psicóticos podem fumar de modo a aliviar sintomas da doença, especialmente os *negativos* (avolia, ambivalência, anedonia).

Outra possibilidade é que a medicação possa aumentar o metabolismo de medicamentos. De fato, alguns medicamentos, como a olanzapina, antipsicótico de segunda geração, podem ter seus níveis plasmáticos reduzidos pela metade, necessitando, assim, reajuste importante da dose quando o paciente fuma.

 

 

 

Novos Estudos

Uma metanálise recente mostra mudanças significativas no modo de pensar a relação entre tabaco e psicose.

Does tobacco use cause psychosis? Systematic review and meta-analysis pulicado no jornal Lancet no mês de julho de 2015.

Os autores avaliaram diversos estudos sobre tabagismo e psicose e chegaram a conclusões bastante interessantes, especialmente no que tange ao aumento do risco de transtornos psicóticos entre pessoas que fumavam.

 

Achados

Os autores avaliaram 63 estudos, com desenho de caso-controle e longitudinais, e observaram uma associação positiva entre tabagismo e risco de psicose, bem como início mais precoce do quadro psicótico entre pacientes que fumavam.

É importante considerar que alguns fatores de confusão podem “viajar juntos”, como é o caso da maconha, uma vez que o tabaco facilita a experimentação de maconha. Ainda não existem estudos que tenham separado a influência de uma e outra substância.

 

Implicações

A relação é bastante complexa e ainda não é possível elencar o tabaco como um fator de risco para o tabagismo, visto que pode ser um fator comum (tabagismo e esquizofrenia compartilham genes em comum). É possível que este trabalho desencadeie uma maior preocupação com o tema, uma vez que já é conhecida a relação do tabaco com outros transtornos mentais, como a síndrome de pânico.

Existem estratégias efetivas para o tratamento do tabagismo que se aplicam também a pacientes portadores de transtornos mentais como a esquizofrenia, tais como a terapia de reposição de nicotina, bupropion, vareniclina e terapias cognitivo

 

Futuros alvos

Espera-se que novos estudos consigam mais precisão na determinação do peso que o uso de tabaco pode ter na eclosão de quadros psicóticos, separando o efeito de fatores de confusão como qualidade de vida, estados de privação ou abuso na infância e do consumo de outras drogas.

Por enquanto, vale a sabedoria popular: “onde há fumaça, pode haver fogo”.

 

Tabaco e Psicose?

Leia o Texto Integral no Lancet Psychiatry

 

 

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